terça-feira, 19 de junho de 2012

Ainda sobre os livros...

Gente, só para deixar vocês com vontade de ler "A menina que roubava livros", selecionei um trechinho que fala justamente dos campos de concentração. Confiram!

(Só para entender melhor, a narradora da história é a Morte. Nessa parte, ela nos conta sobre o seu "trabalho" nos campos de concentração).

"Quando seus corpos acabavam de vasculhar a porta em busca de frestas, as almas subiam. Depois de suas unhas arrancarem a madeira e, em alguns casos, ficarem cravadas nela, pela pura força do desespero, seus espíritos vinham em minha direção, para meus braços, e galgávamos as instalações daqueles chuveiros, escalávamos o telhado e subíamos para a largueza segura da eternidade. E continuavam a me alimentar. Minuto após minuto. Chuveiro após chuveiro.

Nunca me esquecerei do primeiro dia em Auschwitz, da primeira vez em Mauthausen. Nesse segundo local, com o correr do tempo, também passei a pegá-los no fundo do grande penhasco, onde suas fugas acabavam terrivelmente mal. Havia corpos quebrados e meigos corações mortos. Ainda assim, era melhor do que o gás [...].

Estremeço ao recordar - ao tentar desrealizar aquilo.

Bafejo ar quente nas mãos, para aquecê-las. 

Mas é difícil mantê-las aquecidas quando as almas ainda tiritam." (p. 395)

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